A vacinação em bovinos de corte é uma das práticas sanitárias mais importantes para garantir a saúde do rebanho e reduzir perdas produtivas ao longo de todo o ciclo produtivo. Além disso, uma boa estratégia de vacinação ajuda a prevenir surtos de doenças e melhora os índices zootécnicos.
Neste artigo, você vai encontrar:
- Quais são as principais vacinas para bovinos de corte
- Quais são obrigatórias e quais são recomendadas
- Em que idade cada animal deve ser vacinado
- Como organizar um calendário sanitário eficiente
Por que a vacinação em bovinos de corte é essencial?
A vacinação em bovinos de corte atua como uma barreira preventiva contra doenças infecciosas de impacto sanitário e econômico. Nesse sentido, muitas dessas enfermidades apresentam rápida disseminação no rebanho e alta taxa de mortalidade, além de causarem queda no desempenho, redução do ganho de peso e perdas reprodutivas.
De acordo com a Oxford Analytica (via Sindan), as doenças pecuárias geram prejuízos globais estimados em US$ 358,4 bilhões por ano, o que reforça a vacinação como a principal medida preventiva dentro do sistema produtivo.
Por isso, manter um calendário vacinal bem estruturado é uma das bases da biosseguridade na fazenda. Além disso, o planejamento sanitário permite integrar os períodos de vacinação a outros manejos essenciais, como vermifugação e manejo reprodutivo, tornando a rotina mais eficiente.
Raiva bovina
A raiva bovina é uma doença viral altamente letal, transmitida principalmente por morcegos hematófagos, que atacam áreas de produção pecuária. A vacinação é uma medida de controle sanitário crucial no Brasil, especialmente por se tratar de uma zoonose (doença transmitida entre animais e humanos) com letalidade de 100%.
A obrigatoriedade da vacinação contra a raiva no Brasil não é federal, mas sim estabelecida pelos órgãos estaduais de defesa agropecuária. Ela deve ser realizada em áreas onde há alta incidência da doença.
Clostridioses
As clostridioses estão entre as doenças que causam maiores perdas por morte súbita no rebanho bovino brasileiro, sendo essenciais no calendário sanitário da pecuária de corte. Elas são causadas por bactérias do gênero Clostridium, que estão amplamente disseminadas no solo e no trato digestivo dos animais.
Por isso, essa é considerada uma das vacinas mais importantes na vacinação em bovinos de corte e deve ser aplicada em todos os animais do rebanho.
O protocolo vacinal contra clostridioses em bovinos é crucial e se baseia na vacinação sistemática de todo o rebanho com vacinas polivalentes (que protegem contra múltiplas espécies de Clostridium e suas toxinas), sendo a prevenção a única defesa eficaz contra essas doenças. Dessa forma, o esquema-base consiste em uma primovacinação em bezerros a partir dos 2 a 4 meses de idade, seguida obrigatoriamente por uma dose de reforço 30 dias depois, para estabelecer a imunidade protetora, além de subsequentes vacinações anuais de todos os animais.
Leptospirose
A leptospirose é uma das doenças infecciosas de maior impacto econômico na pecuária de corte, pois está diretamente ligada a falhas reprodutivas e perdas de produtividade, causando abortos, natimortalidade, infertilidade e queda de produtividade.
A transmissão acontece pelo contato com água e solos contaminados pela urina de animais infectados, o que torna o ambiente da fazenda um fator de risco significativo.
Aplica-se a primeira dose da vacina contra leptospirose entre quatro e seis meses de idade, com reforço após quatro semanas. Todo o rebanho deve ser vacinado a cada seis meses ou em intervalos menores, a critério do médico veterinário.
Vacinação contra IBR e BVD
As doenças IBR (Rinotraqueíte Infecciosa Bovina) e BVD (Diarreia Viral Bovina) fazem parte do complexo de doenças reprodutivas mais importantes na pecuária de corte.
Elas causam:
- Abortos
- Nascimento de bezerros fracos
- Má formação fetal
- Baixa taxa de prenhez
Por isso, recomendam-se protocolos específicos para a vacinação em bovinos de corte contra IBR e BVD.
Recomenda-se a vacinação aos três meses de idade, com reforço após quatro semanas e vacinação anual em dose única. É importante vacinar os animais em reprodução um mês antes do início da estação de monta.
Assim, é possível melhorar a eficiência reprodutiva e reduzir falhas na estação.
Quais vacinas são obrigatórias e quais são recomendadas?
A obrigatoriedade nem sempre é nacional e pode variar por região e situação sanitária.
De forma geral, podem ser obrigatórias conforme a região e o momento sanitário:
- Raiva bovina (em áreas de risco ou com foco confirmado)
- Brucelose (em fêmeas de 3 a 8 meses, seguindo a legislação vigente)
Recomenda-se fortemente a vacinação em bovinos de corte contra:
- Clostridioses
- Leptospirose
IBR e BVD
Por isso, é essencial consultar sempre um médico veterinário para adaptar o protocolo à realidade sanitária da propriedade.
Organização do calendário vacinal na fazenda
Organizar um calendário sanitário eficiente exige planejamento, controle e registro adequado de todas as aplicações realizadas no rebanho. Dessa forma, é possível evitar falhas, atrasos e aplicações em duplicidade, além de garantir que cada animal receba a vacina no momento correto.
Nesse contexto, o iRancho se torna um importante aliado da gestão sanitária, pois permite acompanhar individualmente os animais e consultar todo o histórico de vacinações, reforçando a segurança das informações e evitando esquecimentos no manejo.
A vacinação em bovinos de corte é um investimento indispensável para a saúde do rebanho e a rentabilidade da atividade pecuária. Quando bem conduzida, ela contribui diretamente para a redução da mortalidade, a prevenção de doenças reprodutivas e a melhoria dos índices produtivos.
Por isso, manter um calendário sanitário sempre atualizado, contar com a orientação de um médico veterinário e utilizar ferramentas de gestão para organizar e monitorar todas as etapas do processo são práticas essenciais. Assim, a propriedade se mantém mais eficiente, segura e produtiva.