Boi gordo Nelore no pasto, olhando para frente.

Fatores que afetam a oferta de boi gordo para o abate

Boi gordo Nelore no pasto, olhando para a câmera, enquanto outros bois seguem ao fundo.

 

A oferta de boi gordo para o abate na pecuária de corte é influenciada por diversos fatores, desde preços de mercado até condições climáticas. Embora a decisão dos pecuaristas em disponibilizar animais para venda esteja atrelada ao valor da arroba em determinados períodos, há uma complexa interação de elementos que afetam o desempenho do rebanho, a capacidade produtiva da fazenda e a rentabilidade da atividade. Esses aspectos tornam desafiador manter uma escala produtiva consistente ao longo do ano.

Compreender os fatores que impactam a oferta de animais é essencial para desenvolver estratégias eficientes de compra e venda, maximizando os lucros.

Confira os principais elementos que influenciam a disponibilidade de boi gordo para o mercado.

 

O impacto do ciclo pecuário na oferta de boi gordo para abate

O abate e a retenção de fêmeas na fazenda são fatores determinantes do ciclo pecuário que influenciam, de forma gradual, a oferta de boi gordo para abate e o preço da arroba.

O aumento no abate de fêmeas resulta em uma menor produção de bezerros, reduzindo o estoque de animais disponíveis para recria e terminação. Com a menor oferta no mercado, os preços da arroba tendem a subir, dificultando a reposição por parte dos pecuaristas. Assim, a quantidade de animais terminados diminui, impactando diretamente a oferta de boi gordo para o abate.

Por outro lado, a retenção de fêmeas favorece o aumento na produção de bezerros e amplia a disponibilidade de animais para recria e terminação. Isso contribui para um crescimento na oferta de bois prontos para o abate ao longo do tempo.

A quantidade de animais nas categorias de bezerros, novilhos, bois magros e gordos varia ao longo do ciclo pecuário, dependendo do volume de abates ou retenções de fêmeas. Esses movimentos geram períodos de oferta restrita ou de maior disponibilidade.

Além disso, outros fatores, como condições climáticas e práticas de manejo, também influenciam a oferta, tornando-a maior ou menor em determinados meses do ano.

 

Condições Climáticas 

No Brasil, o clima exerce uma influência direta na produção de animais a pasto. Grande parte do país apresenta duas estações bem definidas: a estação das águas e a estação seca.

Durante a estação das águas, o clima é marcado por chuvas regulares, luz solar abundante e temperaturas favoráveis, condições que promovem o crescimento do capim. Já na estação seca, a combinação de baixa temperatura, menos luz solar e escassez de chuva reduz significativamente a produção de forragem, fenômeno conhecido como estacionalidade da produção de forragem.

Essa variação sazonal impacta diretamente a oferta de boi gordo para o abate, estabelecendo dois períodos principais: a safra, que ocorre de janeiro a maio, e a entressafra, que vai de junho até novembro ou dezembro. 

 

A safra do boi

A safra do boi coincide com a estação das águas, quando há maior produção de forragem de alta qualidade. Nesse período, os animais têm acesso a mais alimentos e nutrientes, o que favorece o ganho de peso e facilita a terminação a pasto. Como resultado, há uma maior oferta de gado pronto para o mercado.

Por volta do final da safra, entre abril e maio, com a diminuição das chuvas e o declínio na qualidade do capim, muitos pecuaristas encaminham seus animais para o abate. Esse movimento ocorre para aliviar a pressão sobre os pastos, já que a estação seca está prestes a começar.

 

A entressafra

A entressafra, por sua vez, coincide com a estação seca. Nesse período, a falta de suplementação adequada pode levar à perda de peso dos animais ou a ganhos reduzidos. Como resultado, a oferta de animais prontos para o abate diminui, fazendo com que o mercado dependa, em grande parte, de bois vindos de confinamentos.

Essas condições climáticas, portanto, desempenham um papel crucial na dinâmica do ciclo pecuário, afetando diretamente a disponibilidade de boi gordo ao longo do ano.

 

Aplicação de Tecnologias 

A adoção de tecnologias e a intensificação da produção têm transformado os sistemas pecuários, contribuindo para aumentar a oferta de animais durante todo o ano.

Uma das principais estratégias é o confinamento, que melhora o desempenho dos animais e permite a produção de mais arrobas por hectare. Nesse sistema, o fornecimento de ração balanceada nos cochos atende às necessidades nutricionais dos bovinos, possibilitando sua terminação de forma rápida e eficiente, independentemente da estação.

Como alternativa ao confinamento tradicional, o pecuarista pode optar pelo confinamento a pasto, também conhecido como Terminação Intensiva a Pasto (TIP). Essa estratégia combina o uso de pastagens com suplementação, permitindo a terminação de animais durante a entressafra, com boa produtividade e menor custo.

Além dessas abordagens, diversas outras técnicas de produção têm sido implementadas para melhorar o desempenho dos animais e a eficiência reprodutiva. Entre elas, destacam-se:

  • Manejo de pastagem e pastejo;
  • Correção e adubação de solo;
  • Sistemas integrados;
  • Suplementação alimentar;
  • Melhoramento genético;
  • Nutrição de precisão.

Essas tecnologias e estratégias não apenas aumentam a produtividade, mas também tornam a pecuária mais sustentável e competitiva, atendendo às demandas do mercado com eficiência e qualidade.

 

O preço dos insumos e o custo de produção

O preço dos insumos é um fator determinante que influencia diretamente a oferta de boi gordo. Em períodos de alta nos custos dos insumos, os custos de produção aumentam, tornando a atividade menos atrativa. Como resultado, muitos pecuaristas optam por reduzir a quantidade de bois destinados à terminação.

Um exemplo claro ocorreu em 2020, quando o confinamento perdeu atratividade devido à baixa oferta de animais para reposição, aliada ao alto custo da arroba e ao aumento nos preços de insumos como milho e soja. Vale destacar que os maiores custos no confinamento estão relacionados ao boi magro e à alimentação, ambos com impacto significativo no custo final da arroba produzida. Assim, o aumento dos custos de produção reduz a oferta de animais prontos para o abate.

Outro elemento importante é o preço pago pela arroba do boi gordo. Naturalmente, os pecuaristas buscam aproveitar os momentos de maior valorização da arroba para realizar vendas. Porém, a oferta ainda é condicionada por outros fatores mencionados anteriormente, como condições climáticas e aplicação de tecnologias.

Adicionalmente, eventos menos frequentes também podem impactar a oferta de animais. Exemplos incluem tempestades com raios, inundações, queimadas e surtos de doenças no rebanho.

Esses fatores resultam em perdas de animais, pastagens e lavouras, prejudicando a produção nas fazendas e limitando a oferta de gado.

Esses fatores demonstram como os custos e os desafios da produção influenciam a disponibilidade de boi gordo no mercado, exigindo que o pecuarista esteja sempre atento a estratégias para mitigar impactos e manter a eficiência produtiva.

 

Conclusão

A oferta de boi gordo para abate na pecuária de corte é um processo multifatorial que exige planejamento estratégico e adaptação constante. Desde o impacto do ciclo pecuário até as influências do clima, custos de produção e avanços tecnológicos, cada elemento desempenha um papel importante na disponibilidade de animais para o mercado.

Para alcançar resultados consistentes, é fundamental que os pecuaristas invistam em tecnologias, manejos eficientes e estratégias de mitigação de riscos. Além disso, compreender as dinâmicas de oferta e demanda no mercado ajuda a identificar oportunidades de maximizar a rentabilidade e assegurar uma produção sustentável.

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