Como o manejo correto das pastagens pode reduzir as emissões de metano na pecuária

O manejo correto das pastagens se tornou uma das estratégias mais eficientes para reduzir as emissões de metano na pecuária brasileira. Além disso, pesquisadores destacam que ajustes produtivos simples podem transformar a atividade em uma aliada na mitigação climática.

Principais pontos que você vai ver neste artigo
  • Como o manejo correto das pastagens reduz as emissões de metano na pecuária;
  • A importância da fase de cria como estratégia de mitigação;
  • O papel central do pecuarista na redução das emissões e na construção de uma pecuária sustentável.

Pastagens bem manejadas aumentam produtividade e reduzem emissões

Especialistas ouvidos pelo Jornal da Unesp afirmam que a intensificação sustentável é o caminho mais eficiente para a redução das emissões. Ou seja, produzir mais com menos animais. Nesse contexto, o manejo correto das pastagens se destaca como peça-chave para equilibrar produtividade e sustentabilidade.

Quando o produtor realiza correção de solo, adubação e manejo adequado, o capim aumenta sua qualidade nutricional, o gado consome melhor e, como consequência, emite menos metano. Além disso, solos bem manejados passam a estocar mais carbono, ampliando o impacto positivo.

Por que o manejo influencia diretamente na emissão de metano?

O professor Ricardo Reis, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp de Jaboticabal, reforça um ponto importante: pastagens de boa qualidade reduzem a digestão de fibras pobres, principal fator na liberação de metano pelos ruminantes. Dessa forma, além de diminuir as emissões, o bom manejo evita a degradação ambiental e melhora o desempenho zootécnico do rebanho.

Mitigação começa na fase de cria

Estratégias de mitigação devem priorizar a fase de cria, o período entre o nascimento e o desmame do bezerro. Esta é uma janela crítica para o desenvolvimento do animal, afetando diretamente sua eficiência alimentar e ganho de peso futuro. Por isso, bezerros mais pesados e sadios ao desmame atingem o peso de abate mais rapidamente, resultando em:

  • Menor tempo no sistema produtivo
  • Melhor conversão alimentar
  • Menos animais necessários: Bezerros mais produtivos e de rápido crescimento permitem que se produza a mesma quantidade de carne (em termos de peso) com um número menor de animais no rebanho de corte.

Dessa forma, ao investir em melhorias na fase de cria, é possível reduzir significativamente o volume total de metano entérico emitido por quilo de carne produzida, alinhando a produtividade com a sustentabilidade ambiental.

Pecuarista tem papel central na transformação

A combinação entre manejo correto das pastagens, nutrição equilibrada e planejamento produtivo já demonstra ser o caminho mais promissor para que o Brasil alcance sua meta climática. Na prática, o pecuarista se torna protagonista dessa transformação, capaz de transformar o rebanho em uma ferramenta de mitigação, e não de emissão.

Como resume o professor Ricardo Reis: “Pastagem verde é sinônimo de boi saudável, solo fértil e futuro sustentável.”

Além dessa técnica, outras também vêm se consolidando como ferramentas importantes na redução da pegada de carbono na produção de carne bovina. Um exemplo é a própria IATF, confira aqui.

No fim das contas, a pecuária brasileira tem nas mãos todas as condições para liderar uma produção moderna, rentável e ambientalmente responsável. O futuro do setor passa por decisões tomadas hoje, e cada pecuarista que investe em boas práticas, como o manejo correto das pastagens e o uso de tecnologias de reprodução, contribui diretamente para um caminho mais sustentável.

 

Fonte: Canal Rural, adaptado pela equipe iRancho.

Compartilhe:

Assine nossa Newsletter!