Carbono na pecuária

Ciclo de carbono na pecuária: entendendo o impacto real

A urgência climática pressiona todos os setores da economia a revisarem seus impactos ambientais. No campo, cresce o interesse pelo ciclo de carbono na pecuária, especialmente na pecuária regenerativa, uma abordagem que promete produzir carne e leite de forma sustentável e ainda capturar carbono da atmosfera. Mas como o papel dos bovinos se compara ao impacto dos combustíveis fósseis? É isso que exploraremos neste artigo.

Neste texto, você vai entender:
  • A diferença entre o ciclo de carbono dos combustíveis fósseis e dos bovinos
  • Como a pecuária pode contribuir para a captura de carbono
  • Práticas que potencializam o sequestro de carbono no solo

Combustíveis fósseis e o carbono: um ciclo linear

Quando pensamos em mudanças climáticas, é comum associar o problema à atividade pecuária. Entretanto, nem sempre observamos o papel dos bovinos dentro do ciclo natural do carbono.

O carbono presente nos combustíveis fósseis, como petróleo e carvão, está armazenado no subsolo há milhões de anos. Quando extraído e queimado, esse carbono é liberado na atmosfera como CO₂, contribuindo diretamente para o efeito estufa e as mudanças climáticas.

Dessa forma, o ciclo de carbono dos combustíveis fósseis é linear:

Carbono bloqueado no subsolo → extração → queima → CO₂ na atmosfera.

Esse fluxo introduz carbono novo no sistema, desequilibrando os ciclos naturais e aumentando o aquecimento global.

Bovinos e o ciclo de carbono: um processo circular

Ao contrário dos combustíveis fósseis, o ciclo de carbono na pecuária é circular. O carbono presente nas plantas é consumido pelos bovinos, transformado em energia e biomassa. Além disso, ele retorna ao solo na forma de esterco, que alimenta novas plantas. Dessa forma, esse processo integra atmosfera, plantas, solo e animais em ciclos naturais e sustentáveis.

Portanto, é equivocado afirmar que os bovinos são “ruins para o meio ambiente”. Quando manejados de forma sustentável, eles cumprem um papel essencial na preservação do solo e no sequestro de carbono, especialmente em sistemas silvipastoris e integrados.

Práticas que aumentam o sequestro de carbono na pecuária

1. Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF)

O ILPF combina agricultura, pecuária e florestas em uma mesma área, promovendo maior eficiência no uso da terra. Sistemas ILPF apresentam maior densidade de carbono no solo em comparação com métodos convencionais, além de diversificar a produção e reduzir riscos econômicos.

2. Pastejo rotacionado

Essa técnica evita o sobrepastejo e permite a regeneração das pastagens. Com o solo sempre protegido por vegetação e raízes ativas, há aumento da infiltração de água, formação de agregados e maior acúmulo de matéria orgânica, fortalecendo o ciclo de carbono na pecuária.

3. Sistemas silvipastoris

Nos sistemas silvipastoris, árvores são integrados às áreas de pastagem, oferecendo sombra e abrigo para os animais, além de contribuir significativamente para o sequestro de carbono. As raízes profundas das árvores ajudam a acumular matéria orgânica no solo, enquanto a biomassa arbórea captura carbono da atmosfera, tornando esse modelo uma das estratégias mais eficazes para aumentar a sustentabilidade da pecuária.

Além disso, uma produção sustentável depende da eficiência produtiva, e tecnologias como a IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) têm mostrado grande impacto nesse sentido. 

Um estudo da USP, em parceria com a GlobalGen e a Embrapa, mostrou que a IATF:

  • Gera animais mais produtivos em menor tempo
  • Pode diminuir em até 49% a pegada de carbono na produção de carne bovina

Essa redução equivale a retirar 850 mil carros de circulação e preservar 200 mil hectares de florestas, mostrando que otimizar a produção é sinônimo de sustentabilidade.

Pecuária sustentável: solução climática e produtividade

Comparar o impacto ambiental dos combustíveis fósseis e da pecuária sem considerar o ciclo de carbono na pecuária é simplista e equivocado. Enquanto a queima de combustíveis fósseis adiciona carbono novo à atmosfera, os bovinos, quando manejados de forma sustentável, contribuem para ciclos naturais que mantêm o solo fértil, promovem sequestro de carbono e sustentam a produção de alimentos.

Investir em práticas como ILPF, pastejo rotacionado e sistemas silvipastoris não é apenas uma estratégia ambiental, mas também uma oportunidade de aumentar a produtividade e a lucratividade no campo. Dessa forma, a pecuária pode ser parte da solução climática, e não do problema.

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